UM DIA COM JERUSA traduz o passado e o presente de vidas negras



Silvia, jovem pesquisadora de mercado, enfrenta as agruras do subemprego enquanto aguarda o resultado de sua aprovação a uma vaga na universidade. Um dia, ela bate à porta de Jerusa, uma senhora de 77 anos, que vive no Bixiga. O encontro entre as duas vai aproximar os tempos e trazer à tona as realidades comuns às suas ancestralidades.


"A maneira como o audiovisual impõe pra gente uma forma de fazer é como se a gente tivesse que se destituir de tudo que é de fato nosso, porque existe uma fórmula, existe uma forma que você vai colocar na tela. E aí a curadoria vai adorar, a crítica vai aplaudir, os jornais vão falar, os júris vão ficar desesperados tentando definir, descobrir, quem foi que melhor untou aquela fôrma. Porque tudo o que eles querem saber é da fôrma, pouco importa o conteúdo. Pouco importa se naquela fôrma você tem um bolo de chocolate, um bolo de cenoura. Eu acho que é o máximo que se consegue sair da dinâmica das coisas: ora você tem um bolo de chocolate, ora você tem um bolo de cenoura, e então: 'Ah, o bolo de cenoura desse ano, veio carregado de chocolate, com muito leite etc…'. São muitos lugares no mundo, são muitos corpos, são muitas individualidades, são muitas coletividades, e lembrar sempre Coqueiro Grande, lembrar sempre a Bahia, é por conta de tudo isso, sabe? É dizer que circular pelo mundo é importante, é importante pra todo mundo o processo de deslocamento, mas o direito de circular, o direito de transitar, ele não pode vir acompanhado da obrigatoriedade de você abandonar o seu direito de pertencimento." (Viviane Ferreira)

Leia a entrevista completa com a diretora Viviane Ferreira no Cine Festivais



UM DIA COM JERUSA

Diretora: Viviane Ferreira

Brasil, 2020, 74 min


Onde ver: Netflix



Assista ao curta O DIA DE JERUSA (2014), que deu origem ao longa


 

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