Terror de Zé do Caixão está mais vivo do que nunca


“O natural é tão falso como o falso. Somente o arquifalso é realmente real.”
(Rogério Sganzerla, sobre o criador do Zé do Caixão)

Ter nascido numa sexta-feira, 13, foi para José Mojica Marins um destino. Comemoramos os 85 anos do nascimento do pioneiro do horror brasileiro com esta seleção, disponível no streaming, dos filmes que ele dirigiu.



A SINA DO AVENTUREIRO (1958)

"O primeiro longa-metragem escrito e dirigido por José Mojica Marins não pertence ao gênero que o consagrou, o filme de terror. A sina do aventureiro é um faroeste cabloco. Em A sina do aventureiro não há meios-tons, sutilezas ou perfumaria. Tudo se passa como se o cinema fosse um território a ser constantemente violado. Mojica assina não só a direção, o argumento e o roteiro como também a decupagem. Esse destaque soa estranho, mas faz sentido: corresponde à ambição de Mojica Marins em apossar-se da linguagem, abrindo veredas e clarões com a violência convicta que é própria apenas daqueles espíritos originais, para quem a criação não é circunstância, mas caminho sem volta."

(Luís Alberto Rocha Melo, Portal Brasileiro de Cinema)

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À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA (1964)

"A selvageria de À Meia-Noite Levarei Sua Alma aparece de imediato na postura sempre agressiva do personagem Zé do Caixão, eternizado pelo próprio Mojica. Nos movimentos de corpo e de impulso, nas sobrancelhas irrequietas, nos lábios tremidos, na impetuosidade da provocação: trata-se, sem constrangimento, de um personagem desagradável, num filme que vai se modelando em torno dele e de uma série de relações destrutivas que ele promove. A violência perpetrada por Zé do Caixão não tem limites nem pudores. O filme tem total consciência disso e se aproveita do eventual choque do público para ir sempre um pouco mais longe."

(Marcelo Miranda, Cinética)

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ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER (1967)

Violento, arrogante, debochado, pedante, cruel, calculista, Zé do Caixão foi bem definido por um outro cineasta - um retrato brasileiro, uma figura recalcada e boçal. É uma exorcização de demônios internos, como cabe a bons personagens de terror, é um personagem que, impaciente com as falhas alheias, volta e meia parece dizer tudo aquilo que precisa ser dito - para logo em seguida se mostrar um boçal que se crê onipotente.

(Daniel Caetano, Contracampo)


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O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO (1968)

O que faz O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO um exemplo didático da força criativa de Mojica são suas articulações em torno do ver, do ser (ou não) visto, do (não-)visível. As três histórias são, além de contos de horror, variações em torno do motivo do olhar como poder, fazendo aproximações entre visibilidade e violência.

(Raul Arthuso, Cinética)



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O DESPERTAR DA BESTA (1970)

Depois de sacudir o marasmo do cinema brasileiro com as barbaridades de Zé do Caixão, irritando críticos e censores, José Mojica Marins empenhou-se em realizar seu filme mais poderoso. Ritual dos sádicos, depois transformado em O despertar da besta, pela primeira vez colocou em cena criador e criatura, confundindo o real e o imaginário. Metalinguístico, autoindulgente e impetuoso, o filme transforma egotrip em bad trip, empilhando episódios depravados e denunciando uma sociedade decadente em todas as suas classes.

(Carlos Primati, Portal Brasileiro de Cinema)

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FINIS HOMINIS (1971)

"Mojica Marins sempre soube que o que faz a força de seus filmes são os momentos mais impactantes, e não a coesão e o equilíbrio da obra como um todo. Livre para fazer seu personagem ir aonde bem quiser, livre dos entraves de uma estrutura narrativa mais fechada, o diretor exercita sua veia de filósofo da moral cotidiana e expõe os defeitos e hipocrisias do próprio espectador."

(Ruy Gardnier, Portal Brasileiro de Cinema)


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A ESTRANHA HOSPEDARIA DOS PRAZERES (1976)

Há também um clima de nonsense, de filme inglês rodado na Boca do Lixo e de psicodelia que vai prendendo a atenção do espectador menos exigente. Acho que era isso que as pessoas costumavam chamar antigamente de cinema. (Remier Lion, Portal Brasileiro de Cinema)





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INFERNO CARNAL (1977)

Feita com pequenos toques do humor alucinatório que Marins adora empregar, INFERNO CARNAL é como uma versão em formato telenovela de uma história de terror da EC Comics. Suas narrativas macabras são sombrias o suficiente para enganar os tipos censuradores, incapazes de perceber a moral dessas histórias.

(Marxo Grouch, Plate O’Shrimp)



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DELÍRIOS DE UM ANORMAL (1978)

"Encontramos aqui, como sempre em Mojica, coisas muito brasileiras, claro. A começar pela evocação do expressionismo. Nada mais brasileiro: enquanto a Alemanha viveu 10 ou 15 anos de penúria, inflação e crise, a nossa desdita parece perpetuar-se, década após década. De maneira que nenhuma escola nos sensibiliza mais do que essa."

(Inácio Araujo, Portal Brasileiro de Cinema)


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DEMÔNIOS E MARAVILHAS (1987)

"Em DEMÔNIOS E MARAVILHAS, o que dá lógica à vida de Mojica é o cinema. Tudo se estrutura a partir dele e das numerosas dificuldades da produção de filmes no Brasil, como superar obstáculos aparentemente intransponíveis – ou seja, algo digno do gênero fantástico."

(Arthur Autran, Portal Brasileiro de Cinema)



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ENCARNACAO DO DEMÔNIO (2008)

"Sem colocar em questão o mérito de cada proposta, o fato é que Zé as desenvolve muito bem, isto é: seu retorno se dá com mais sanguinolência e ainda mais imaginação. A beleza plástica do filme (a fotografia de José Roberto Eliezer não trai o encanto popular dos primeiros Zé do Caixão) se impõe seqüência após seqüência. E cenas como a transa com a menina coberta de sangue mereciam estar em qualquer antologia do gênero. Zé do Caixão não esquenta, em todo caso, com esses detalhes: vai tecendo seu mundo de horrores e se firmando de uma vez por todas como um dos maiores personagens do cinema brasileiro." (Inácio Araujo, Folha)


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AS FÁBULAS NEGRAS (2015)

No episódio O SACI, dirigido por José Mojica Marins, o célebre Zé do Caixão, a história recria o personagem do imaginário popular em algo bem mais feroz e, mantendo-se fiel à cartilha do diretor, entrega uma saborosa cena que mescla devoção católica com desejo carnal.

(Francisco Russo, Adoro Cinema)




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