Um fio com 22 filmes de Almodóvar para ver antes de MÃES PARALELAS


Ranking e comentários da escritora Anne Bilson (crítica do jornal “The Guardian”).



22. OS AMANTES PASSAGEIROS (2013)

A tripulação e os passageiros de um voo se drogam e encenam suas fantasias sexuais enquanto o avião se prepara para um pouso de emergência. Não chega a ser um Apertem os cintos o piloto sumiu! (1980) com cenas de sexo, mas é mais volátil. Fica melhor se você tomar uns goles de tequila, usar poppers ou assistir com seus amigos mais fervidos.

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21. KIKA (1993)

Almodóvar mostrou sinais de autoparódia neste melodrama sobre uma maquiadora envolvida com um escritor, seu enteado, um repórter policial, uma subtrama de serial killer e alguns figurinos delirantes de Jean Paul Gaultier. Há uma cena de estupro de 20 minutos, encenada de modo cômico; por sua vez, a combinação de cores das almofadas é divina.

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20. ÁTA-ME (1989)

Almodóvar afirmou que esse melodrama cômico era uma metáfora dos laços amorosos, mas assistir a uma ex-atriz pornô (Victoria Abril) sendo espancada e amordaçada não é algo exatamente divertido para todo mundo. Antes que você perceba, ela se apaixona por seu sequestrador louco, interpretado pelo adorável Antonio Banderas. Jesus amado! Mas a cena de Victoria Abril brincando com o mergulhador na banheira entrou nos anais do erotismo safado.

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19. LABIRINTO DE PAIXÕES (1982)

Cecilia Roth interpreta uma estrela pop ninfomaníaca que encontra o amor verdadeiro com um príncipe gay disfarçado de cantor punk neste filme que é um ensaio para MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS. Almodóvar inventa coisas do arco da velha, incluindo estupro e incesto “de leve”, e Banderas faz seu primeiro papel num filme do diretor, como um terrorista.

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18. DE SALTO ALTO (1991)

Victoria Abril interpreta uma locutora de TV, vestida de Lagerfeld dos pés à cabeça. Sua rixa com a mãe, uma cantora famosa, só piora quando seu marido é assassinado. O filme é mais um registro do tempo em que Almodóvar burilava sua obra, enquanto produzia autoparódias. Em compensação, há uma incrível cena de dança na prisão ao som da trilha de Ryuichi Sakamoto.

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17. MAUS HÁBITOS (1983)

Quando seu namorado tem uma overdose, uma cantora de cabaré refugia-se num convento comandado por uma madre lésbica que cheira heroína, onde as freiras escrevem romances lúbricos, usam LSD e dão uns rolês com tigres. É uma total bagunça, mas o carinho de Almodóvar por seus personagens desastrados é irresistível.

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16. PEPI, LUCI, BOM E OUTRAS GAROTAS DE MONTÃO (1980)

FODE… FODE… ME FODE TIM! (1978), primeiro longa Almodóvar, filmado em 8mm, nunca foi lançado comercialmente, mas esta sequência, feita em 16mm e ampliada para 35mm, tornou-se um dos sucessos cult da chamada “La Movida Madrileña”, movimento que aconteceu em Madri e demoliu a herança franquista com um tsunami de sexo, drogas e mix de gêneros. Carmen Maura, musa do diretor nos anos 80, interpreta Pepi, que se vinga do policial que a estupra convencendo um cantor punk a mijar na esposa dele. O próprio Almodóvar interpreta o apresentador de um concurso de quem tem o pau maior. O filme é cru, caótico e fervido, tem o mesmo tipo de energia “faça você mesmo” dos primeiros trabalhos de John Waters e Derek Jarman e já revela muitos traços estilísticos de Almodóvar (pastiches de publicidade, combinação de acessórios, aparições de diretores) - além da quebra de tabus com o uso de cenas de violência doméstica em modo cômico.

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15. O QUE EU FIZ PARA MERECER ISTO? (1984)

Carmen Maura interpreta Gloria, uma dona de casa sem dinheiro, nesta homenagem de Almodóvar ao Neorrealismo italiano, ambientado em um prédio sórdido. Um filho adolescente é traficante, o outro vai morar com um dentista pedófilo. Maura está maravilhosa como sempre, e Chus Lampreave, outra atriz habitual nos Almodóvar, está encantadora como a sogra excêntrica.

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14. A LEI DO DESEJO (1987)

A abordagem bagunçada que Almodóvar fazia dos enredos estava começando a ganhar coerência quando ele realizou este filme sobre um triângulo amoroso entre um cineasta gay, seu jovem amante e um fã obsessivo (Banderas) que transporta o drama para o universo do thriller psicológico. Maura também participa como a irmã trans do diretor e protagoniza a montagem teatral de “A Voz Humana”, de Jean Cocteau.

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13. A VOZ HUMANA (2020)

Almodóvar, que já havia usado a peça de Cocteau em A LEI DO DESEJO e MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS, fez, durante a quarentena da pandemia, essa adaptação mais direta, seu primeiro filme em inglês. O curta de 30 minutos é um monólogo de Tilda Swinton, que desfila modelos Balenciaga e bolsas Chanel enquanto espera em um apartamento luxuoso seu ex-amante voltar. Esqueça o merchan e curta a super atuação canina do pastor australiano Dash.

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12. MÁ EDUCAÇÃO (2004)

Gael García Bernal interpreta três papéis neste imbróglio noir que superpõe camadas de assassinato e impostura. O ator também arrasa como uma drag num Gaultier de parar o trânsito. A trama no estilo boneca-russa envolve amizade de infância, um padre abusivo e chantagem. Acontece tanta coisa que não dá para dizer que funciona, mas também não há nenhum momento de tédio.

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11. MATADOR (1986)

Almodóvar vai fundo no kitsch nesta comédia de humor negro absurda que começa com um homem se masturbando enquanto assiste a filmes de terror sanguinolentos, depois vira uma história de paixão louca entre dois serial killers: uma advogada e um ex-toureiro que se excitam vendo o faroeste DUELO AO SOL. Banderas interpreta um perturbado aluno de tourada que desmaia quando vê sangue.

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10. ABRAÇOS PARTIDOS (2009)

Duas linhas do tempo se entrelaçam nesta meta-homenagem ao cinema. Um diretor cego relembra seu romance com sua atriz principal, com resultados visualmente arrebatadores que incluem Penélope Cruz no auge absoluto da beleza.

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9. VOLVER (2006)

Penélope Cruz exibe um decote magnífico nesta comédia dramática sobre duas irmãs que guardam segredos de família muito complicados, alguns dos quais são revelados pelo fantasma da mãe, interpretada por Maura em seu primeiro filme com Almodóvar após um hiato de 18 anos. Com subtramas que atiram em todas as direções, o filme pode ser igual a começar a ver uma série no meio da temporada, mas as cores vibrantes, a sororidade e a deliciosa cozinha espanhola o transformam numa viagem mais que prazerosa.

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8. TUDO SOBRE MINHA MÃE (1999)

A constelação das favoritas de Almodóvar (Cruz, Roth, Marisa Paredes) atuando a todo vapor faz deste filme um tipo de melodrama flamejante feminino que não se via desde os tempos áureos de Cukor e Mankiewicz. Uma mulher enlutada assume o papel materno para um ator, uma drogada, uma freira grávida e uma prostituta trans. São tantos personagens e subtramas que a coisa não fecha, mas emociona. E só um gênio visual imaginaria combinar aquele cabelo ruivo com aquelas cortinas vermelhas.

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7. MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS (1988)

O sucesso dessa farsa maluca transferiu Almodóvar do posto de diretor cult a autor amado. Maura estrela como Pepa, que espera o ex-amante pegar a mala numa cobertura em Madri (outro eco da peça “A Voz Humana”). Visitas indesejadas, uma ex-mulher vingativa, gaspacho forte e terrorismo disputam espaço nesta farsa, em que os instintos visuais do diretor demonstrando que, às vezes, a combinação cromática dos acessórios é uma escolha estética tão eficaz quanto os movimentos de câmera.

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6. A FLOR DO MEU SEGREDO (1995)

Marisa Paredes interpreta uma escritora de meia-idade em crise. Seu casamento está desmoronando, ela está virando as garrafas e se cansou de produzir romances baratos. Almodóvar revisita seu tema mais recorrente: homens se comportando mal e mulheres lutando para lidar com isso. Mas há sinais do início de uma nova e mais segura fase de sua carreira. Alberto Iglesias criou a bela trilha sonora, a primeira de suas 13 colaborações com Almodóvar.

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5. FALE COM ELA (2002)

Um retrato digressivo da amizade entre dois homens e as mulheres que amam: uma bailarina e uma toureira. Os prazeres incidentais incluem Pina Bausch e uma vinheta em estilo filme mudo sobre um homem em miniatura que busca refúgio na vagina de sua amante. O filme é encantador, emocionalmente complexo e infinitamente perturbador em sua representação simpática de um obcecado estuprador.

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4. A PELE QUE HABITO (2011)

Banderas interpreta um cirurgião plástico que mantém uma jovem cativa em sua luxuosa mansão. Flashbacks expositivos conduzem o espectador através de uma trama labiríntica de estupro, vingança, desejo, cadáveres e cenografia fabulosa. Os temas favoritos de Almodóvar estão todos presentes e certinhos, mas reorganizados no modo mais próximo que ele chegou de um filme de terror.

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3. CARNE TRÊMULA (1997)

Almodóvar transforma o gélido thriller psicológico de Ruth Rendell num apaixonado “Almodrama” (termo cunhado pelo escritor Guillermo Cabrera Infante) sobre cinco pessoas à procura de amor sob o sol quente de Madri. Uma bala perdida durante um sequestro liga os destinos de um viciado italiano e dois policiais incompatíveis, um deles interpretado por Javier Bardem. É infalivelmente caloroso e generoso, mesmo quando representa caras que perseguem e batem em mulheres.

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2. JULIETA (2016)

Três histórias de Alice Munro formam a base desta narrativa sobre a relação entre uma mãe e sua filha distante, entrelaçando memórias, passado e presente. É um passeio sinuoso, mas emocionante, impulsionado por alguns truques cinematográficos e uma narrativa envolvente e seguríssima, na qual a estampa de Klimt no figurino é tão vital para a “mise-en-scène” quanto as espetaculares paisagens da Galícia.

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1. DOR E GLÓRIA (2019)

A maioria dos filmes de Almodóvar incorpora detalhes de sua própria vida e carreira; este é mais autobiográfico que os outros, mas milagrosamente evita a auto-indulgência. Banderas (cuja atuação ganhou vários prêmios, incluindo melhor ator em Cannes e uma indicação ao Oscar) interpreta um diretor de cinema velho, que tem muitos problemas de saúde e sofre um bloqueio criativo. Um encontro com um velho amigo desencadeia uma colagem de memórias: infância, despertar erótico, Madri dos anos 80, drogas. É uma aula de cinema, um filme aparentemente não-linear de um diretor que percorreu um longo, longo caminho desde FODE… FODE… ME FODE TIM!

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