OXIGÊNIO mostra isolamento como experiência de medos e descobertas



ISABELLA PLACERES


“De onde venho?”, “para onde vou?” e “quem sou?” são perguntas que poucas vezes tiveram tanto sentido quanto em OXIGÊNIO (2021). Dirigido pelo francês Alexandre Aja, o longa mostra a situação hiper ansiogênica de uma mulher que acorda enclausurada em uma câmara de criogenia sem se lembrar de quem é e tendo apenas 35% de oxigênio disponível na máquina.


Liz, a protagonista interpretada por Mélanie Laurent, vive momentos intensos e claustrofóbicos em busca da sobrevivência. Seu único apoio é a inteligência artificial da máquina, MILO, que atende a seus pedidos, exceto abrir a câmara.


Em meio a uma trama de ficção científica, o filme mostra a jornada de uma mulher até o autoconhecimento. Liz tem que descobrir quem é, de onde vem, por que está ali e o que quer: resignar-se à morte ou lutar pela vida.


Nesse sentido, o filme nos proporciona uma personagem complexa, que chora, grita, ri e se arrepende, e precisa controlar suas emoções e usar sua inteligência para sair dessa situação. Só ela pode e consegue se ajudar. Além disso, a protagonista tem que lidar com medos e questões éticas das quais nem se lembra. Tem que decidir se vai confiar em si ou não, e se vai considerar a câmara de criogenia uma saída ou um caixão.


Com poucos flashbacks longos e uma história que se passa majoritariamente em um lugar fechado, a carga dramática fica nas mãos de Mélanie Laurent. As reviravoltas concebidas pela roteirista Christie LeBlanc impedem o filme de se tornar monótono, mas é a atriz quem consegue transmitir todo o desespero da situação, mesmo sendo filmada, a todo momento, em primeiro plano.


Preencher as lacunas em sua história é essencial para Liz. Não só dá a ela a chance de sobreviver, mas os motivos para querer continuar viva. Descobrir-se, aqui, significa dar a si mesma uma chance de viver.


OXIGÊNIO

Diretor: Alexandre Aja

Franca/EUA, 2021, 100 min


Onde ver:






ASSINE A NEWSLETTER FILMEDODIA.COM