O ÚLTIMO PROSECCO celebra a bebida que acompanha a esperança



MARIO VISCONTI


Todo mundo identifica o vinho borbulhante como bebida da celebração e da alegria: em festas de aniversário, casamentos, formaturas e no réveillon, por exemplo, há sempre o ritual de “estourar o champanhe”. Muitas vezes a garrafa que se abre não é de champanhe, nome dado ao vinho produzido numa região específica da França, mas de prosecco, oriundo de uma região específica da Itália. Entre os vinhos italianos, ele é, sem dúvida, o mais conhecido e apreciado no mundo todo. E é exportado até para a França!


ENQUANTO HOUVER PROSECCO, HÁ ESPERANÇA!, título original da comédia de mistério O ÚLTIMO PROSECCO, sugere força e inspira para não esquecermos que algum dia teremos o que festejar e que, então, poderemos celebrar acompanhados por um ótimo prosecco.


O vinho popularizou-se nos anos 1990 e tornou-se um dos principais produtos de exportação da Itália. Alguns torcem o nariz para ele, mas é inegável que a bebida oferece vantagens. Uma delas é a relação preço/qualidade, o que, sem dúvida, fomentou sua popularidade planetária. O prosecco não surgiu nos anos 1990, não é um produto de uma moda. Alguns pesquisadores defendem que, na Roma antiga, era produzido um provável antepassado do prosecco, um vinho chamado Pucino, considerado pelos romanos elixir da longa vida. Há ainda registros do caderno de viagem de um nobre inglês de 1593 e um poema de 1754 publicado em Veneza que citam o vinho.


O prosecco é um vinho fácil de beber e de harmonizar. Oitenta por cento do prosecco servido na Itália e no resto do mundo é produzido na região do Vêneto, e o restante, no Friuli-Venezia Giulia, regiões localizadas no nordeste da Itália. De acordo com a regulamentação do Prosecco DOC (denominação de origem controlada), é obrigatório que se cultive a uva nestes territórios.


A trama de O ÚLTIMO PROSECCO acompanha a circulação dos personagens entre Treviso e Veneza e passagens pela região onde é cultivada a Glera, uva com a qual o vinho é produzido. Desse modo, o filme mostra panorâmicas das colinas cobertas de videiras, algumas convertidas em Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Para quem ama viajar, a “Estrada do Prosecco” fica numa das regiões mais belas da Itália e é uma das principais rotas enoturísticas do país.


Existem três tipos de prosecco: o tranquillo (ou fermo), que é um vinho sem presença de gás, ou seja, “sem bolinhas”, o frizzante e o spumante, este último é o mais exportado, portanto, mais conhecido internacionalmente e produzido em maior quantidade. As videiras de Valdobbiadene e Conegliano, na região da cidade vêneta de Treviso, são protegidas por “canhões”: elas são tão preciosas, que requerem um sistema de ar comprimido para dispersar as nuvens que as ameaçam com chuvas de granizo. Há também o canto que vem das caves de armazenamento, um polo logístico de vanguarda, o da Cantina dei Produttori di Valdobbiadene – Val D’Oca, que alberga um armazém completamente automatizado e subterrâneo até uma profundidade de 14 metros. Lá ficam as garrafas para serem entregues, embaladas ao som de cantos gregorianos que as deixam repousar. Os maiores mercados consumidores do vinho são o Reino Unido, a Alemanha e os Estados Unidos.


O ÚLTIMO PROSECCO

Diretor: Antonio Padovan

Itália, 2017, 101 min


onde: Belas Artes à la carte

 

MARIO VISCONTI é pesquisador e professor de língua e cultura italiana.

 

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