Drama de diretora alemã registra os impasses da condição feminina



ISABELLA PLACERES


JIBRIL (2018), longa de estreia da alemã Henrika Kull, conta a história de uma mulher árabe e divorciada que vive com suas três filhas na Alemanha e se apaixona por Jibril (Malik Adan), um presidiário que, apesar de também ser árabe, é alguém mais desenraizado.


No longa, o romance entre a protagonista, Maryam (Susanna Abdulmajid), e Jibril está em um primeiro plano. Apesar de a premissa do filme ser simples, o que leva os dois a se apaixonarem tem maior profundidade: a sensação de que falta algo. No caso do presidiário, essa falta é mais concreta, pois lhe falta liberdade e atenção. Já para a protagonista, o drama é mais complexo.


Maryam tem uma carga enorme para carregar: trabalho, filhas, ex-marido ausente e mãe e vizinha inquisidoras. A criação de suas três filhas é o centro de sua vida, principalmente por não ter a ajuda do pai delas. Ainda que a lista de “coisas a fazer” da protagonista seja interminável, parece que algo falta na sua vida. Depois do primeiro encontro com Jibril, a mudança de humor da personagem (principalmente quando está sozinha) torna isso mais evidente.


Em meio a uma história de romance, a diretora Henrika Kull aborda com muita sutileza as dificuldades da maternidade. O conflito de Maryam com a filha mais velha, Sus (Doua Rahal), é o mais explícito desses problemas. Mas muito além de atritos entre mãe e filha, o filme retrata uma mulher que, por precisar viver em função de três meninas, perde sua própria intimidade e deixa seus desejos em segundo plano.


E é justamente isso que falta para Maryam, conseguir se reencontrar. Nesse sentido, Jibril é quem vai representar essa necessidade, mesmo que não seja exatamente o que a protagonista precisa. A questão é que o presidiário traz um “refresco juvenil” para sua vida, e inclusive podemos ver Maryam agindo como uma adolescente apaixonada, com seus risinhos e troca de mensagens, sendo até mesmo imprudente em algumas situações.


O grande tema de JIBRIL é o sacrifício que acompanha a maternidade, principalmente quando esta não vem apoiada pela figura paterna. Essa reflexão perpassa o romance principal, mas é a causa primeira das dificuldades de Maryam e o que move a história.


JIBRIL

Diretora: Henrika Kull

Alemanha, 2018, 83 min


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