Drama argentino EL CAZADOR exibe o lado oculto da vida gay dos garotos



Lufe Steffen Surgiu no universo das plataformas há algumas semanas um obscuro filme dirigido pelo argentino Marco Berger – diretor que estreou em longas-metragens em 2009 e já acumula 10 longas na bagagem. Como toda a obra do cineasta, este tem a temática LGBTQIA+ como pano de fundo. EL CAZADOR começa parecendo apenas um drama romântico adolescente gay. O protagonista é Ezequiel, um garoto tímido de 15 anos de idade, que busca um amor com outro rapaz. Após algumas tentativas frustradas, encontra um garoto um pouco mais velho e inicia uma espécie de namoro. Mas o clima bucólico juvenil do filme rapidamente se transforma. O tom pesa, e as tintas vão se parecendo cada vez mais com os ingredientes de um thriller ou mesmo de um terror sobrenatural. Fica claro que o filme afinal não é mais um romance teen água com açúcar. Mas revelar mais sobre a trama seria esvaziá-la. O que se pode dizer é que o roteiro envereda pela denúncia de um assunto sempre incômodo e assustador: a exploração sexual de menores de idade. Apesar do clima de suspense, construído pelos recursos audiovisuais, por vezes EL CAZADOR se parece com um documentário – por buscar retratar um tema que está aí, na vida real. Essa dualidade faz com que o filme traga à memória dois realizadores que fizeram alguns trabalhos retratando essa juventude “perdida”: Gus Van Sant e Larry Clark. Gus Van Sant, cineasta gay norte-americano, dirigiu GAROTOS DE PROGRAMA (1991), que trazia personagens juvenis e/ou jovens no universo da prostituição gay. Mas em ELEFANTE (2003) e PARANOID PARK (2007) ele foi mais direto ao universo adolescente e escolar – no segundo, com o acréscimo do mundo do skate. Skate é praticamente a base dos filmes sobre adolescentes de Larry Clark, outro cineasta norte-americano. O trabalho de Clark é quase sempre num tom documental, trabalhando com não-atores jovens, improvisando, registrando o que se passa. KIDS (1995), seu primeiro longa, já mostrava o universo dos skatistas adolescentes. Em KEN PARK (2002), ele aprofundou esse retrato. EL CAZADOR também tem como um dos seus cenários centrais uma pista de skate onde Ezequiel conhece o objeto de sua paixão. Também é ali que ele vai encontrar outro personagem que muda o desfecho da história. EL CAZADOR não é exatamente agradável. E o objetivo é este mesmo, para o tom de denúncia surtir o efeito necessário. EL CAZADOR

Diretor: Marco Berger

(Argentina, 2020, 101 min) onde: Netflix