13 clássicos do cinema que inspiraram tramas de Gilberto Braga


LUFE STEFFEN


Gilberto Braga (1945-2021) sempre será um dos maiores criadores da teledramaturgia brasileira. A cultura cinematográfica foi uma de suas principais fontes de inspiração (leia o texto na Bixórdia).


Confira algumas das principais referências ao cinema nas novelas do autor.


A MALVADA

(Joseph L. Mankiewicz, 1950)

O plot do filme, no qual Eve (Anne Baxter), aspirante a estrela, tenta tomar o lugar da consagrada atriz Margo Channing (Bette Davis), foi usado ligeiramente em “Vale Tudo” (1988-89), com Maria de Fátima (Glória Pires) desbancando a amiga Solange Duprat (Lídia Brondi). Em “Celebridade” (2003-04) foi o mote central da novela, toda estruturada em torno da personagem Laura (Cláudia Abreu), que rouba a fama e o prestígio de Maria Clara Diniz (Malu Mader).


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A DAMA DAS CAMÉLIAS

(George Cukor, 1936)

Gilberto lançou mão deste clássico em diversas novelas, principalmente na questão de um pai autoritário que é contra a união de um filho romântico com uma mulher que ele desaprova. Em “Dancin’ Days” (1978-79) a mulher é Júlia Matos (Sônia Braga), considerada tóxica por ser uma ex-presidiária e depois uma figura esfuziante e frívola da sociedade. Em “Corpo a Corpo” (1984-85) é uma questão racista, pois a moça é Sônia (Zezé Motta).


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STELLA DALLAS, MÃE REDENTORA

(King Vidor, 1937)

A mãe que se sacrifica pela felicidade da filha, mesmo que esta não mereça. Em “Vale Tudo”, em diversos momentos a abnegada Raquel (Regina Duarte) abre mão de sua felicidade para ajudar a filha, a terrível Maria de Fátima.


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ALMA EM SUPLÍCIO

(Michael Curtiz, 1945)

Referência também em “Vale Tudo”. No original, a personagem de Joan Crawford, humilde cozinheira, é rejeitada pela filha arrogante. Mas a mãe dá a volta por cima e vira dona de restaurantes. Na novela, a cozinheira Raquel é desprezada pela filha Maria de Fátima, mas também sobe na vida e torna-se dona de uma rede.


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AMAR FOI MINHA RUÍNA

(John M. Stahl, 1945)

No filme, a protagonista vilã se atira da escada para abortar, propositalmente. Na novela “Vale Tudo” Maria de Fátima (sempre ela!) se joga na escadaria do Teatro Municipal com o mesmo objetivo – perder o filho indesejado que comprovaria que ela foi adúltera.


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CLAMOR DO SEXO

(Elia Kazan, 1961)

A minissérie “Anos Dourados” (1986) recorreu ao mesmo tema de repressão sexual dos filhos pelos pais – embora o filme se passe na década de 1920, e a série, na de 1950. Diversas cenas são semelhantes, incluindo o difícil diálogo entre mãe e filha sobre sexo. Na série, Lurdinha (Malu Mader) questiona a mãe Dona Celeste (Yara Amaral) sobre se a mulher, assim como o homem, também tem prazer carnal.


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TEOREMA

(Pier Paolo Pasolini, 1968)

O desfecho de “Vale Tudo” mostrou um triângulo formado por Fátima, César Ribeiro

(Carlos Alberto Riccelli) e o príncipe italiano Giovanni (Marcos Manzano). Ao tomar conhecimento desse "ménage", o cinéfilo mordomo Eugênio ( Sérgio Mamberti ) comenta: “Este filme eu já vi. É TEOREMA!”, numa alusão ao personagem de Terence Stamp, que seduzia todos os habitantes de uma família burguesa.


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HOUVE UMA VEZ UM VERÃO

(Robert Mulligan, 1971)

Outra referência em “Anos Dourados”. Os adolescentes liderados por Urubu (Taumaturgo Ferreira) querem fazer sexo, no auge da puberdade em plena década de 1950. Urubu tenta seduzir uma jovem viúva, numa referência ao lírico filme de Mulligan. A diferença é que as peripécias de Urubu são em chave cômica, enquanto o filme tinha um tom nostálgico e denso. Mas os amigos de Hermie (Gary Grimes) no filme cumprem essa parte cômica também, tentando perder a virgindade.


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VIOLÊNCIA E PAIXÃO

(Luchino Visconti, 1974)

Foi deste clássico de Visconti que nasceu a inspiração para a mais famosa vilã das novelas brasileiras. Odete Roitman (Beatriz Segall), de “Vale Tudo”, se parece muito com a esnobe Marquesa Bianca Brumonti (Silvana Mangano): arrogante, maquiavélica, racista, elitista, machista, além da predileção por namorar belos rapazes que a exploram, enquanto ela os sustenta em troca da ilusão do amor.


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CARRIE, A ESTRANHA

(Brian De Palma, 1976)

A mais célebre cena do filme, na qual Carrie (Sissy Spacek) é vítima de um banho de sangue em pleno baile de formatura, já foi citada diversas vezes nas novelas e séries brasileiras. Numa dessas variações, na novela “Babilônia” (2015, canto de cisne de Gilberto Braga), o estudante Rafael (Chay Suede) leva um banho de tinta rosa nos corredores da escola – porque os colegas homofóbicos descobrem que ele foi criado por um casal de lésbicas.


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MOMENTO DE DECISÃO

(Herbert Ross, 1977)

A cena final de “Dancin’ Days” tornou-se mais famosa do que sua matriz cinematográfica: as irmãs Júlia Matos (Sônia Braga) e Yolanda Pratini (Joana Fomm) se enfrentam num duelo físico, aos tapas, chutes e sopapos, rolando pelo chão. Ao final, fazem as pazes. No filme de 1977, Anne Bancroft e Shirley McLaine protagonizam o embate – não eram irmãs, mas amigas de infância, e também rivais na disputa pelo carinho de uma adolescente, filha de Shirley e afilhada de Anne. Na novela, a disputa era por Marisa (Glória Pires), filha de Júlia e sobrinha de Yolanda – que criara a menina como filha.


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O OUTRO LADO DA MEIA-NOITE

(Charles Jarrott, 1977)

Adaptado do romance homônimo de Sidney Sheldon, o filme narra a história de uma moça romântica enganada por seu grande amor, que a abandona para ficar com outra mulher. Assim, tem início a luta da moça por vingança, o plano de destruir o homem. A trama tornou-se também marca registrada das novelas de Gilberto Braga. Júlia em “Dancin’ Days”, Teresa (Glória Menezes) em “Corpo a Corpo” (1984), Márcia (Malu Mader) em “O Dono do Mundo” (1991), Norma (Glória Pires) em “Insensato Coração” (2011), entre outras, seguiram essa pista.


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FEDORA

(Billy Wilder, 1978)

A tortuosa relação entre mãe e filha no filme de Billy Wilder foi reproduzida por Odete e Heleninha Roitman (Renata Sorrah) em “Vale Tudo”. No filme, a narcisista Condessa (Hildegard Knef) rejeita a filha, Fedora (Marthe Keller), desde a infância e, quando a moça cresce, acaba manipulada e anulada pela mãe. Em diversas cenas da novela (e no chocante diálogo final entre as duas, antes da morte de Odete) essa relação reaparece. A diferença é que a novela deu um final feliz para a filha, e calou a mãe (Odete) com três tiros – ainda que disparados por engano.


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